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2 de mar. de 2012

Encontros e Desencontros com as pessoas do caminho

Tem um post com info sobre como adquirir o livro MEU PE QUE ME LEVA PELO MUNDO

Alma boa que nos deu seu mapa de Bruges às 22h00, qdo chegamos lá

Ah, vá! Tô plagiando o nome do filme em português sim, mas é para “ilustrar” o post sobre o pessoal que a gente tem a felicidade de encontrar no percurso do mochilão.

Dono de loja de miniaturas e seu petit chat batendo um papo conosco em Bastogne

Aquele que dorme em cima de você na beliche e te convida pra ir visitar um museu com ele, aquela turma que tá te vendo ler um guia de viagens, sozinho no sofá do albergue e pergunta se você quer ir a uma festa com eles. Tem aquele que começa a puxar um assunto e descobre que o que você vai fazer pode ser mais interessante do que o que ele ia fazer e se convida pra ir junto com você.

Essas pessoas surgem do nada, têm nome, e-mail e nação e têm um pré-roteiro que se perde a cada encontro com outras pessoas do mundo. Como isto é legal! Essas pessoas são, em sua maioria, principalmente se estiverem sozinhas, mais verdadeiras, gentis e abertas a ensinar e aprender. Gostam de contar suas peripécias e ouvir (o que é muito importante) as nossas. Cada um busca uma coisa nestas conversas de jornada: libertação, conhecimento, novas experiências, tempo para si, fugas impossíveis, se encontrar.

O mochilão, este estilo de viagem do qual fala muito este blog, é a chave pra você encontrar você mesmo e entrar em sintonia com o universo. O mochilão faz você ser mais analista do essencial para a vida. Acabei de fazer outro mochilão em outubro passado. Fui acompanhada de Mamorrr. Fizemos uma viagem divertida, tranquila, visitamos muitos lugares e tivemos encontros com pessoas maravilhosas. Admito que nunca falei com tanta gente em viagem e devo isto ao fato de estar acompanhada por um homem que, além de me deixar segura para falar com outros sem risco de outra impressão, também adorava falar (sem saber a língua) com todo mundo. Todo mundo mesmo. Ele se desenrolava no inglês e eu complementava as conversas. Pensa que ele tava preocupado em não entender? Nada! Ia gesticulando, tentando palavras perdidas em todas as línguas que não sabia (hahahah) e me chamando diversas vezes: “Mamorrrr, como se diz tal coisa?” “Mamorrrrr, e tal coisa?” “Mamorrrr, fala pra ele isso, isso e isso”. Ai......E nisso ele ia falando junto o que sabia. Foi muito legal e pude exercitar muito mais meu inglês e francês.

Encontramos o Philipe e Madame Suzette, em Bastogne, na Bélgica. Ela é a senhorinha fofa, recepcionista de um museu de guerra e Philipe está ajudando, de boa vontade, a organizar todo o espólio de guerra que se tem por lá. Também estava fazendo um apanhado de peixes da região para identificar no museu. Havíamos ido no dia anterior até este museu para saber até que horas ficaria aberto no dia seguinte porque iríamos visitá-lo. É uma casa grande com um monte de coisas de guerra amontoadas em armários de vidro. Está tudo bem confuso, mas é de impressionar.

Fomos logo pela manhã já de mochila visitar o museu porque depois iríamos para Luxemburgo, e perguntamos o valor . 6 euros. Tínhamos 100 euros. Perguntamos se trocavam, ou se havia um lugar onde trocariam para nós. Madame Suzette disse que não aceitariam trocar a nota de cem porque muitos têm medo de que seja falsa. Ficamos meio sem graça, sem saber o que fazer, mas Madame Suzette foi rápida: “Podem entrar sem pagar. Vocês foram bravos em vir aqui de novo com suas mochilas. Visitem de graça. São os primeiros do dia e isto poderá nos dar sorte!” Agradecemos, muito contentes e deixamos nossas mochilas com ela.

Enquanto estávamos tentando acordar os papeizinhos com informação às peças, Philipe olhava de longe. Depois de alguns minutos, ele chegou para mim e perguntou se eu gostaria que ele nos acompanhasse em um tour guiado pelo museu. Como é que é? A gente não pagou e ainda vai ter o privilégio de um guia “en français”, explicando história e peças??? Claro, querido Philipe! Ficamos umas 3 horas rodando pelo pequeno museu, onde foi-nos explicado praticamente sobre todas as peças expostas na vitrine, além de uma pequena aula de história da segunda guerra mundial.

Philipe adora o exército, havia servido e esteve no Oriente médio. Tem aproximadamente 45 anos, um filho, pelo que entendi, está separado e mora na fronteira com Luxemburgo. Depois de nos contar histórias como o que as pessoas de Bastogne fizeram com os espólios de guerra, transformados em enxadas, panelas, cuias, transporte, etc, perguntou um pouco sobre nossa viagem e para onde iríamos. Depois de um papo muito divertido e de fotos junto com Philipe e Madame Suzette, mamorrr e eu nos preparamos para partir da querida Bastogne. Philipe disse q iria dar uma passada em casa e depois voltaria para terminar o trabalho e que poderia nos dar uma carona até a estação de trem mais adiante e economizaríamos mais desta forma. Aceitamos e fomos no Ka de Philipe até sua cidade, que esqueci o nome....

Chegando na estação de trem, Philipe ficou aguardando conosco o horário de chegada e nos deu dois passes de 1 hora para estre trem. Deveríamos validá-lo e poderíamos usá-lo ainda em Luxemburgo. Puxa, que cara gente boa! Tudo que podíamos dar a ele além de nossos e-mails e a promessa das fotos(que ainda não mandei por e-mail....) era PAÇOQUITA, que eu tinha comprado aqui pra mamorrr comer e ter energia. Hahahha.

Comungamos as paçocas e o trem chegou.

Abraçamos Philipe, agradecemos sua gentileza e entramos no trem. Ainda tivemos tempo de filmá-lo entrando no carro e acenando um adeus triste. É algo muito estranho e emocionante. É uma breve gentileza, aquelas poucas palavras e tudo toma um outro rumo na jornada. É como um encantamento com aquilo que todos deveríamos ter: respeito por todos.

O trem partiu rumo a Luxemburgo e levei um susto com a beleza da cidade velha, Patrimônio da humanidade, encravada por entre pedras milenares e um castelo semidestruído. Saímos da estação e, nos atrapalhamos com o sentido que deveríamos seguir a procura de uma hospedagem.

Caminhamos com nossas mochilas pesadas por uma leve garoa, compramos um frango frito. Mamorrr viu uma moça que parecia não estar fazendo nada e foi, sem me esperar, pedir informação para ela de como ir até a cidade velha. Ele é demais. Gosto de homem assim. É o meu amor. A moça disse que nos levaria até onde queríamos porque estava esperando um amigo que ainda iria demorar. Mais uma pessoa especial em nosso caminho. Seu nome era Linda.

Daí, apareceram tantas outras pessoas marcantes, não pelo que fizeram conosco, mas por serem parte de nossa jornada, por terem nos dado a oportunidade de encontrá-las em nosso caminho e tê-las para sempre em nossas vidas.
A gente pode se encontrar, desencontrar, mas tenha certeza de uma coisa: no ápice destes dois momentos é que aprendemos e ensinamos as coisas mais especiais da vida. Numa jornada com recepções e despedidas o espírito se eleva, a mente se abre e tudo fica mais perfeito e claro. É só experimentar!
Vamos mochilar?
Logo?
V for Verônica

17 de mai. de 2011

Insegurança, sem zona de conforto: é isto aí, Michael Kepp!

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Estava eu, na minha vida de trabalhar e ler jornal pra me atualizar, colocando em dia uma semana passada de Folha de São Paulo, quando leio o editorial do caderno Equilíbrio do dia 3 de maio, escrito por Michael Kepp.
O que me atraiu na leitura foi o destaque do texto em negrito:


"No tempo que passei pegando carona nos EUA, aprendi que a segurança só vem se abrimos mão dela."

Puts! É tudo o que acho que acontece no mochilão!
Este estadunidense "radicado" há 28 no Brasil, estava escrevendo sobre se colocar em situações difíceis para engradecimento interno.
Ele fala no texto que nos seus 20, 30 anos, passou muito tempo pegando caronas pelos EUA e carregava uma placa que dizia "QUALQUER LUGAR, MENOS ESTE" . Não sei se ele tirou isto das próprias ideias, ou se viu um filme, viu alguém fazendo, leu um livro que o inspirou, mas sei que foi levado pelas energias do universo a fazer o que achava ser "a coisa certa".
Ele diz que ao se colocar em uma situação aparentemente insegura por um tempo indefinido e aceitando suas consequências, aprendeu a desenvolver uma segurança interior. Falo muito sobre isto, principalmente depois que a gente volta do mochilão. Parece que tudo é mais simples e que os problemas têm menos importância se comparados com as maravilhas que existem no mundo.
À época, ele vivia de bicos e se estabilizou temporariamente em algumas cidades estadunidenses e europeias, até que se encontrou no Rio de Janeiro. Gostou do jeito do carioca, totalmente diferente da frieza europeia.
Para ele, que é jornalista free lancer até hoje, trabalhar assim, "viver à margem de uma profissão, como viajar à beira de uma estrada, ensina que a segurança vem de ter fé em si mesmo." Meu, gostei disto. Acho que, deste jeito, eu tenho fé. Essa coisa de geração "x", "y", e sei lá qual a próxima letra que chegará, que venha! Apesar de toda esta agitação, o que eu quero é estabilidade para viver, para viajar, para valorizar meus amigos. Estabilidade do meu jeito, claro!
Michel Kepp também diz que "muitos jovens - que não viajam mais como jovens viajavam há 40 anos, fosse em quilometragem, fosse na psicodelia - conhecem o terno e a gravata antes de conhecerem a si mesmos." Isto é uma realidade dolorosa ao menos para mim, que quero ser da geração boomers, da qual não faço parte, só pela estabilidade que tinham.
Falando de auto-conhecimento, é bem o que ele quer mostrar aqui, ao menos em minha percepção. Descobrir-se nos riscos de se ver em lugar não conhecido, com pessoas não conhecidas e cultura de cobrir os corpos, fumar narguilé, carregar toras, domar cavalos em pelo, comer black puddin (arrrrghhhh!), fish n' chips, não dar três beijinhos, falar gritando....nossa! Culturas diversas que moldam nossa mente e espírito da melhor forma: amorfa. A mente que é uma argila sempre pronta a aceitar e incorporar o melhor do que vier. Sem medo; só positivismo.

Aventurem-se! Michael e Verônica recomendam!

Aventurem-se por uma vida mais bem vivida.

E como ele diz
"para que a vida passe por você, ao invés de você passar pela vida".


Vão logo mochilar que já se faz tarde!!!!

V for Verônica


Michael Kepp é autor do livro de crônicas "Sonhando com sotaque - Confissões e desabafos de um Gringo Brasileiro" (ed. Record)

13 de fev. de 2009

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Desde a primeira vez que fui para fora do país, com 19 anos, queria fazer uma viagem independente. Primeiro porque queria economizar as finanças do meu pai. Viajar por uma agência nunca foi barato. Ainda mais para o exterior. Segundo, porque queria dormir em albergue, acampar, ir para onde quisesse. Fazer uma viagem bem independente. Era uma onda de Vovó Stella naquela época que só vocês tendo passado por aqueles anos para saber. Nunca tive vontade de ir para a Disney. Mas este sonho de muita gente aconteceu comigo.

Pedi aos meus pais para me deixarem ir para os EUA com a Isabella, minha amiga de infância. Mais precisamente, a California. Nenhum dos pais concordou com isso, mas disseram que se fôssemos com excursão, tudo bem. Qual o remédio?

Queria ir para a Califórnia e conhecer San Francisco por causa do grupo de Rock Metallica. A agência com a qual iríamos passaria por lá e também pelo Arizona, Las Vegas e Flórida. Fiquei bem chateada em ter que viajar com uma agência, mas devo dizer também que foi uma boa viagem. Éramos jovens, nunca havíamos ido para fora do país, nossos pais ficariam bem mais aliviados se fôssemos com alguém que se responsabilizasse por nossas vidas. Não que isso faça alguma real diferença, já que para algo acontecer, basta estarmos aqui.

Ficamos 20 dias viajando por alguns estados dos EUA. Sobrevoamos o Grand Canyon, visitamos minha querida San Francisco, Carmel, Solveig, Los Angeles, Las Vegas, Sedona, o Deserto de Mojave, a represa Hoover. Depois fomos para Miami. Visitamos a Disney, Bush Garden e os Estúdios da Universal. Tudo com guias que falavam espanhol e português, ônibus levando para todos os lados. Lembro que tivemos um dia livre em Los Angeles e um em San Francisco. Uma noite saímos para uma balada, mas não antes de sermos totalmente desencorajadas pelos guias, que tinham responsabilidade sobre nós. Saímos de qualquer forma.

Depois desta viagem, mesmo estando totalmente amparada pelos guias do tour, senti o prazer pelo diferente. Queria ver o que havia por outros lugares do mundo.

Sempre viajei pelo Brasil porque minha família está espalhada por aqui. Conheço a língua, a hospitalidade, a lindíssima natureza. Quero ver o diferente. Falar línguas diferentes, comer coisas diferentes, aprender outros costumes. Obter conhecimento.o mês de março ficou acertado que iríamos nas férias de julho daquele ano de 93. Eu ainda chegaria no Brasil para meu aniversário de 20 anos.

Foi daí que, logo após esta viagem, fui para os EUA, de novo, com minha irmã no ano seguinte. Fomos no final de janeiro de 94 e voltamos no meio de março. Desta vez, fizemos o tão desejado “backpacking”. A viagem com grana regulada e estadia em albergues, como queria.

Foram dois meses de muito aprendizado. Principalmente porque aprendemos tudo sozinhas. Não lembro de ter visto filmes ou qualquer coisa que nos influenciasse a fazer isso. Lembro, sim, de ter ficado em um albergue em Santos uma vez. E senti um cheiro de viagem no ar. Queríamos ir sós. Por nossa conta. Pensei: tour nunca mais.

Aprendemos :
-o que realmente devemos levar na mochila;
- onde comer e o que comer;
- fazer amizades pelo caminho;
- mudar rotas inesperadamente;
- controlar as emoções ante um desastre natural;
- acreditar nas pessoas que acabamos de conhecer;
- estudar melhor a história dos locais visitados;
- fazer alguns sacrifícios financeiros, ainda mais porque vai saber se vamos voltar aquele lugar;
- andando se conhece mais as coisas e as pessoas;
- evitar fazer todos os programas de turistas;
- visitar locais fora de roteiro típico.
Daí, fui mais duas vezes com minha irmã para os EUA. Em uma delas, pegamos um “pacote turístico” que sairia bem barato, para passar a virada do ano. Forneceriam apenas a estadia e um tour pela cidade de Nova Iorque. Como já conhecíamos a cidade, fizemos o tour que estava incluso e ficamos passeando por uma semana. Da outra vez, passamos 10 dias na nossa amada San Francisco. Mas eu queria muito visitar a Europa, onde sabia que iria de encontro a diversas culturas bem diferentes, uma ao lado da outra. Juntei dinheiro e em 2000 fui para a Europa.

Comecei a acertar as coisas no começo do ano de 2000 e já anunciei para os amigos que iria, finalmente, fazer minha primeira viagem de mochila nas costas sozinha. Minha mãe estava bem preocupada. E acredito que deve ter pedido muito em oração para que algo acontecesse porque uma de minhas amigas pediu para ir comigo. A Camila querida. Eu topei. Só que ela ficaria apenas duas semanas comigo, enquanto eu ficaria mais três sozinha.

No início de agosto partimos em direção à França, onde visitamos Paris, Versailles, Renes, Cancale e St. Malo. De lá fomos e ferry para Portsmouth, na Inglaterra e a caminho de Londres, onde ficaríamos hospedadas junto com uma amiga da minha amiga que estava morando lá. Isto foi muito bom porque pagamos bem menos para ficar junto com ela do que pagaríamos até em um albergue. Fomos para Edimburgh, Inverness, Oban, Ilha de Skye, Glasgow, e de volta para Edimburgh, onde minha amiga seguiu de volta para Londres para finalizar sua viagem. Precisei do dia seguinte para me adaptar a solidão de “nínguém íntimo, da minha terra junto comigo”. E tudo ficou muito forte. Fiz um tour pelas highlands e a guia, muito perspicaz, logo viu que eu era a única sem “dupla” e muito deslocada do grupo. Quando paramos em uma montanha para apreciar uma vista impressionante, ela veio do meu lado e perguntou se eu estava bem. Disse que sim, que estava apenas me adaptando a ficar só, já que minha parceira de viagem havia voltado para o Brasil. Ela entendeu imediatamente. Deu mais uma palavrinha de confiança para mim e me deixou apreciar aquela paisagem. Depois fui para Stranraer, pegar um barco para Belfast, na Irlanda.

Visitei Belfast, Portree, Portrush, Londonderry, Giants’ Causeway, Ballygally, Galway, uma das ilhas do arquipelago Arran, Cork, Waterford, Blarney, Dublin. Daí peguei um navio para Holyhead, no País de Gales. Visitei Conwy, Cambridge, Bath, York e voltei para Londres. E de volta para o Brasil.

No meio de tudo isto, muita coisa aconteceu. Perdi-me em trilha, com mochila nas costas, no meio de uma vacaiada, peguei carona, fui para lugares onde nunca tinham visto brasileiros (hoje, felizmente, isso não acontece), dividi aluguel de carro com outros mochileiros, inclusive com um cego que viajava com seu cão guia, fiquei uma semana sem ligar para casa, tive que dormir em uma cidade não planejada, sem mochila, porque as cabines de venda de passagem já tinham fechado. Aí, foi ir ao CIT(centro de Informações Turísticas) e ver onde tinha albergue, pousada, o que fosse. Descobri que não somos só nós que achamos que uma língua soa engraçada; acharam que português soava engraçado na Escócia. Acampei em parque público. Vistas exuberantes, castelos demais, cultura demais. Intoxicação de conhecimento. E olhe que para esta viagem não fiz uma super pesquisa. Andei muito. Falei com muita gente, vi coisas demais. Isso tudo em 35 dias. Mas ainda faria muito mais na minha segunda viagem de mochila.

Em 2003, decidi que iria visitar outros países e tentaria, mais uma vez, pegar 5 semanas. Iria sozinha. Ninguém pensou em vir comigo. Mesma época, final de temporada na Europa, meio de agosto. Desta vez. Fui para Hungria, Polônia, Suiça, Alemanha, França e Espanha.

Visitei Zentendre, Budapeste e Eger, na Hungria.
Na Polônia visitei a Cracóvia, Varsóvia e Auschwitz. Na Suiça visitei Berna, Lausane, Lugano, Montreux e Genebra. Berlim, na Alemanha, foi visitada por acidente, e valeu muito a pena. Também caí em Viena por acidente. Na França, tive que ver Paris encore... Na Espanha visitei Madri, Barcelona, Blanes, Figueres, Toledo, Sevilha, Cordoba e Granada. Foto:Eu em Figueres-Espanha, junto a escultura de Salvador Dali
Nesta viagem fui expulsa de trem e tive que mudar minha rota, por causa de visto. Tive problemas com gente me seguindo em Viena, o que me impossibilitou de conhecer a cidade. Fiz várias amizades de meio de caminho. Andei na madrugada por Paris e também fui seguida. Nadei no Lac Léman, em Montreux, na Suiça. Comi umas 5 panquecas de Nutella em Paris. Fui para lugares onde ninguém me entendia. Banhei em banheiro misto sem portas, pedindo a Deus para ninguém entrar. Emocionei-me com festa folclórica numa praça na Cracóvia. Fui protegida da chuva pela generosidade de turistas. Dividi um taxi com mais 3 nacionalidades: gregos, franceses e poloneses. Aprendi muito mais sobre história, amizade e economia.

Em fevereiro de 2006, tive o desejo de escrever sobre viagem econômica. Queria que mais pessoas se aventurassem pelo mundo. Queria mostrar que se eu conseguia fazer isso, elas também conseguiriam.

Concluí o rascunho do livro em Março. Decidi que iria mochilar novamente em agosto para ver se poderia acrescentar algo mais ao livro.

Em maio, comecei a preparar as coisas (dinheiro) e contei ao povo do serviço que iria, de novo, mochilar pela Europa. Desta vez tinha planos de visitar uns 8 países nas minhas “5 semanas”.

Ivete, minha amiga de serviço disse que havia contado a um amigo dela sobre minha viagem e que ele havia perguntado se eu topava levá-lo comigo. Disse que tudo bem. Ainda mais porque seria uma provação para mim: Eber era um rapaz sem muitas posses, que depois de ouvir quanto eu pretendia gastar ao todo (R$8000,00), disse que poderia conseguir esta quantia para a viagem. Eu iria descobrir se realmente qualquer pessoa poderia mochilar pelo mundo com minhas dicas.

Tudo foi organizado em menos de 2 meses. Eber, que tinha planos de fazer um intercâmbio na Austrália, agora estava a caminho da Europa para visitar nada menos que 8 países, com culturas totalmente diferentes e línguas mais diferentes ainda. Ele não estava preparado para o que aconteceria.

"Hassan, Fatima" e Sahid a caminho do Deserto de Chigaga - Marrocos
Foram 39 dias:
Grécia – Athenas, Tessalonica, Meteora, Corintho, Patras, Corfu
Itália – Pompéia, Napole, Pisa, Florença, Roma, Vaticano, Cinque Terre, Veneza
Austria - Viena, Salzburgo
Rep Tcheca – Cesky Krumlov, Kutna Hora e Praga
Alemanha, Nuremberg
França- Paris, de novo. Ai, Ai....
Espanha – Barcelona e Algeciras
Marrocos – Tanger, Marrakesh, Essauira, Ouarzazate e Deserto de Chigaga. Partida de Casablanca.

Também aconteceram coisas aqui: tivemos que dormir uma madrugada às margens do Danúbio, em Viena. Eu vomitei no trem na Rep. Tcheca, porque tava com medo de ser barrada de novo. Quase apanhei em Florença arranjando encrenca com Nigerianos. Vomitei várias vezes atravessando o Atlas, de carro, na Africa. Tivemos problemas com carro alugado em Marrakesh, comemos os melhores sorvetes e sucos do mundo. Visitei, mais uma vez, minha querida família na Espanha, enquanto larguei Eber para andar sozinho pela cidade, para sentir o gostinho da independência. Fiz uma trilha deliciosa na Itália. Aprendi a prestar mais atenção aos feriados nos países. Passei correndo, de novo, pela Alemanha. Fui, pela terceira vez, e, ainda, não suficiente, ao Louvre. Passamos uma noite de lua cheia no deserto de Chigaga.

Voltamos para nosso cotidiano e logo ouvi de minha amiga do serviço que Eber estava muito diferente. Extrovertido, agitado, decidido a estudar fora. Também estava decidido a divulgar esse estilo de viagem às pessoas. Mais um para a campanha de transformar o Brasil numa TERRA DE MOCHILEIROS.

Hoje, meu livro está pronto, Eber tem um blog sobre mochilão e uma comunidade no Orkut, com dicas de mochilão, já fez mais dois mochilões: um pela Grã Bretanha e outro pela Argentina/Chile. Fez duas trilhas pelo Rio de Janeiro e está na busca de viagens sempre que possível, porque MOCHILAR É PRECISO.

Vamos lá! Faça também seu mochilão sozinho porque é Seu pé que te leva pelo mundo.


V for Verônica

Foto lá do allllto: Eu, em Montreux (08/2003) com a escultura do Freddie Mercury, vocalista da banda QUEEN. Ah, mas eu chorei.